1930 - 1938 - A Época de Ouro - 1ª Fase

    Começa em 1929 a chamada Era de Ouro da MPB, quando os músicos brasileiros se profissionalizam e estabelecem padrões que vigoram ainda hoje. Os fatores que levaram à possibilidade do acontecimento da Época de Ouro foram a criação do samba e da marchinha, ainda na década de 20, a chegada do rádio ao país, que possibilitou o aproveitamento dos cantores e cantoras, o surgimento da gravação elétrica, e o cinema falado, onde era se possível ver os cantores em ação, já que na época os únicos meios de divulgação da imagem dos artistas eram as revistas. O primeiro artista a se projetar nesse período foi o cantor Mário Reis, que cantava de modo mais natural, rompendo com a tradição operística de toda a geração anterior, exemplificada principalmente nos vozeirões potentes de Francisco Alves e Vicente Celestino, e aproveitando todas as possibilidades que a criação do microfone traziam para os cantores populares, que a partir da atuação de Mário, passaram a utilizar não só o volume de suas vozes, mas as sutilezas interpretativas, viabilizadas somente com o uso da tecnologia elétrica de captação do som. Entre as cantoras, o símbolo maior do período é Carmen Miranda, que se tornou a primeira cantora brasileira de sucesso de massa, um sucesso que se extenderia ao exterior, quando Carmen foi para os Estados Unidos para se tornar uma das estrelas do cinema americano. Além de Carmen, outras cantoras de importância nessa fase foram sua irmã Aurora Miranda, a segunda cantora que mais gravou no Brasil na década de 30, Aracy de Almeida e Marília Baptista, as duas mais importantes intérpretes da obra do compositor Noel Rosa, Elisa Coelho, cantora que se notabilizou principalmente pelo lançamento da canção "No rancho fundo" (Ary Barroso - Lamartine Babo), que se tornou clássica em sua interpretação, Odette Amaral, as irmãs Linda e Dircinha Batista, e Dalva de Oliveira, que começou como integrante o grupo Trio de Ouro, e a partir de 1947 desenvolveria uma bem sucedida carreira solo.