ROSA NEGRA
 
    Foi descoberta pelo revistógrafo Marques Porto no Bar Cosmopolita, um bar que existia no Passeio Público, onde apresentava-se cantando e dançando. Trabalhou também em parques de diversão, no Méier. Em março de 1926, estreou na revista "Pirão de areia", no Teatro São José, liderando um grupo de black-girls e cantando com uma "charleston jazz band". Apresentou com as Black Girls um número chamado "Bahiana, n'aime tu?", que era bisado e trisado diariamente. Embora contracenasse com atrizes de renome, como Otília Amorim, foi a atriz mais aplaudida na revista do São José. Em agosto do mesmo ano estreou na Companhia Negra de Revista, primeira tentativa de criar no Brasil uma companhia teatral apenas com atores e atrizes negros. A revista de estréia da Companhia Negra foi "Tudo preto", de autoria de De Chocolat, com música do maestro Sebastião Cirino e com Pixinguinha regendo a orquestra. Apresentada no Teatro Rialto, a revista fes muito sucesso. Foi uma das atrizes que mais se destacou, tendo interpretado "Ludovina cançonette", um número charlestônico, "Pérolas negras", outro número de sucesso, "Jaboticaba afrancesada" e "Banhistas", onde contracena com a vedete Dalva Espíndola. Foi chamada por alguns críticos de "Mistinguette brasileira", numa referência à famosa vedete francesa que atuou na Companhia Bataclan. Estreou logo depois na revista "Preto e branco". A Companhia Negra partiu em seguida para em excursão pelos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Em 1927, retornou ao Rio de Janeiro e estreou no Teatro República com a Companhia Negra a revista "Carvão Nacional". Na nova revista, interpretou "Tentação", "O mundo da lua", "Tudo preto", "Flor de amor", "A procura de uma estrela", "Beijar", "Broxura" e "Tudo o que é nosso". No mesmo ano, gravou com Francisco Alves o samba "Não quero saber mais dela", de Sinhô, que foi um grande sucesso, regravado em 1980 pelo grupo paulista Rumo. Em 1928, ainda com Francisco Alves, gravou o foxtrote "Moleque namorador", de Heckel Tavares e o fox "Que pequena levada", de J. Francisco de Freitas. Gravou ainda "Rosa preta" e "Quem quer casar comigo?". Em 1930, atuou no Teatro Cassino Antarctica, em São Paulo, na revista "Chora menino", de Marques Porto e Luiz Peixoto, com a Companhia Brasileira de Revistas. Em 1931, estrelou no Teatro República com a Companhia Mulata Índia do Brasil a revista "Com que roupa?", de Luís Peixoto com músicas de Ary Barroso, Freire Jr e Vadico. Em 1932, atuou no Teatro Margarida Marx, na Piedade, e fez parte da troupe de variedades do Moinho Vermelho que se exibiu no Teatro República. Fez bastante sucesso nesse período da nossa música, mas apesar disso, há poucos registros biográficos, inclusive qual foi o desenrolar de sua carreira, quando e onde nasceu e como e onde morreu. Em 2003, o selo Revivendo no CD "Sinhô - O pé de anjo" relançou sua interpretação do samba "Não quero saber mais dela", de Sinhô gravado em dueto com Francisco Alves.

DISCOGRAFIA

JAN/1928 - 78 RPM (Odeon 10.100)
1. Não Quero Saber Mais Dela (J. B. da Silva "Sinhô") - Francisco Alves e Rosa Negra
2. Me Faz Carinhos (Ismael Silva / Francisco Alves) - Francisco Alves
1928 - 78 RPM (Odeon 10.110)
1. Moleque Namorador (Hekel Tavares) - Francisco Alves e Rosa Negra
2. Auto Lotação (I. Kolman) - Francisco Alves
ABR/1928 - 78 RPM (Odeon 10.154)
1. Meu Suquinho (José Francisco de Freitas / Lamartine Babo) - Francisco Alves
2. Que Pequena Levada (José Francisco de Freitas / Lamartine Babo) - Francisco Alves e Rosa Negra
1932 - 78 RPM (BRASILPHONE 1.018)
1. Rosa Preta
2. Quem Quer Casar Comigo