ELISA COELHO
(Elisa de Carvalho Coelho)
1/3/1909, Uruguaiana, RS - ?/2001, Volta Redonda RJ 
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    Filha de um tenente do exército e da jornalista e escritora Acy Carvalho, que redigia a seção feminina de "O Jornal", do Rio de Janeiro, Elisinha passou a infância e a adolescência em Florianópolis, SC. De volta ao Rio de Janeiro, freqüentemente acompanhando-se ao piano, cantava em reuniões familiares às quais compareciam jornalistas e poetas, amigos da família. Numa dessas reuniões, em 1929, um coronel amigo de seu pai, que era diretor da Rádio Clube do Brasil a convidou para cantar lá, agradando de imediato. Com sua voz suave e original, estabeleceu-se na música popular brasileira interpretando sambas e sambas-canção. Destacando-se pelo ótimo repertório, passou a cantar músicas de Hekel Tavares, com quem excursionou pela Bahia e pelo restante do Nordeste em 1930. Neste mesmo ano, convidada por Josué de Barros, gravou seu primeiro disco na Victor, interpretando os sambas "A minha viola é de primeira" e "Capelinha de melão", ambos de Tia Amélia. Em 1931 gravou com Sílvio Caldas "Batuque" e o samba "Terra de Iaiá", ambas de Ary Barroso. Ainda no mesmo ano, gravou "No rancho fundo", de Ary Barroso e Lamartine Babo, tornando-se esse samba seu maior sucesso. Ary Barroso, que era seu grande admirador, não apenas a escolheu para realizar a primeira gravação de "No rancho fundo", preterindo sua lançadora no teatro, a cantora Araci Cortes, como também a acompanhou ao piano, com Rogério Guimarães ao violão, numa gravação onde é cantado integralmente o belo poema criado por Lamartine Babo. Também no mesmo ano, gravou com o Bando de Tangarás o samba "Nega baiana", de Ary Barroso e Olegário Mariano e o fox-blue "O que foi que eu fiz", de Augusto Vasseur e Luiz Peixoto e participou de um Festival promovido pela gravadora Parlophon no Teatro-Cassino Beira-Mar, juntamente com o Bando de Tangarás, Ary Barroso, Luperce Miranda e outros. Em 1932 gravou os sambas "Iaiazinha", de Plínio Brito e "Escrita errada", de Joubert de Carvalho e o samba canção "Praga", de J. Aimberê. No mesmo ano, atuou no espetáculo "2º Broadway cocktail", ao lado de Almirante, Sílvio Caldas, Carolina Cardoso de Menezes, Lamartine Babo e Laura Soares, no Cine Teatro Broadway. Atuou em diversas emissoras, apresentando-se, entre outros, no "Programa Casé". Gravou para o carnaval de 1933 as marchas "Coração de picolé", de Paulo Neto de Freitas, e "Fon-fon", de Heitor dos Prazeres. De suas últimas gravações realizadas em 1934, destacam-se a interpretação de "Dança negra", de Heckel Tavares e Sodré Viana, e "Humaitá", tema folclórico recolhido por Heckel Tavares - gravações nas quais foi acompanhada pelos Irmãos Tapajós. No mesmo ano, em seu único disco na Odeon, que foi também o último de sua carreira, registrou o samba-canção "Caco velho", de Ary Barroso, outro clássico eternizado por sua voz, e a "Canção da felicidade", de Ary Barroso e Oduvaldo Viana. Também no mesmo ano, atuou no filme "Alô, alô Brasil", co-dirigido por Wallace Downey, Alberto Ribeiro e João de Barro. Nos anos de 1935-1936, excursionou duas vezes à Argentina e ao Uruguai. Atuou no rádio até o fim da década de 40. Em 1938, apresentou-se como cantora e atriz na peça "Malibu", de Henrique Pongetti, encenada pela compania de Raul Roulien. No Cassino da Urca, fez duetos com astros internacionais como Pedro Vargas e Jean Sablon, tendo aí ensinado a vedete Josephine Baker a cantar em português o samba "O que é que a baiana tem?" de Dorival Caymmi. Abandonou a carreira artística alguns anos depois, passando a residir na cidade de Volta Redonda, RJ. Elisinha teve um filho, o jornalista, produtor e apresentador de televisão Goulart de Andrade. Sua discografia, realizada entre 1930 e 1934, compõe-se de 15 discos gravados na RCA Victor, na Parlophon e na Odeon. Em 1946, participou juntamente com Pixinguinha, Donga,J. Cascata, Patrício Teixeira e os músicos da Velha Guarda, de um espetáculo na cidade fluminense de Volta Redonda, organizado por Almirante. Em 1956 participou em São Paulo, a convide de Almirante, do II Festival da Velha Guarda, atuando em show realizado no Largo da Concórdia. Em 1989, o selo Revivendo lançou o LP "No rancho fundo" com interpretações suas e de Jesy Barbosa, Silvio Caldas e Breno Ferreira.

DISCOGRAFIA

DEZ/1930 - 78 RPM (Victor)
1. Capelinha De Melão (Tia Amélia) 
2. A Minha Viola É De Primeira (Tia Amélia)
FEV/1931 - 78 RPM (Victor)
1. Iaiazinha (Plínio Brito) 
2. Escrita Errada (Joubert de Carvalho)
JUL/1931 - 78 RPM (Parlophon)
1. Nega Baiana (Ary Barroso / Olegário Mariano)  - com Bando de Tangarás
2. O Que Foi Que Eu Fiz (Luis Peixoto / Augusto Vasseur)  - com Bando de Tangarás
1931 - 78 RPM (Parlophon)
1. Na Bahia (Benedito Lacerda / Dario Ferreira) 
2. Meu Home (J. Aimberê)
AGO/1931 - 78 RPM (Victor)
1. No Rancho Fundo (Ary Barroso / Lamartine Babo) 
2. Ciúme De Caboca (Josué de Barros)
SET/1931 - 78 RPM (Victor)
1. Batuque (Ary Barroso) - com Silvio Caldas 
2. Terra De Iaiá (Ary Barroso) - com Silvio Caldas
NOV/1931 - 78 RPM (Victor)
1. Tenho Saudade (Ary Barroso) 
2. É Bamba (Ary Barroso / Luis Peixoto)
MAR/1932 - 78 RPM (Victor)
1. Palmeira Triste (Lamartine Babo / Ary Barroso) 
2. Primeiro Amor (Ary Barroso)
JUN/1932 - 78 RPM (Victor)
1. Praga (J. Aimberê) 
2. Como É O Nome Do Papai ? (Augusto Vasseur / Luis Peixoto) 
AGO/1932 - 78 RPM (Victor)
1. Viva O Meu Brasil (J. Thomaz) 
2. Nega Maria (J. Thomaz)
JAN/1933 - 78 RPM (Victor)
1. Coração De Picolé (João Toloni / Paulo Neto De Freitas) 
2. Fon Fon (Heitor dos Prazeres)
SET/1933 - 78 RPM (Victor)
1. O Samba É A Saudade (André Filho) 
2. A Lua Vem Surgindo (André Filho)
MAI/1934 - 78 RPM (Victor)
1. Bateram Na Minha Porta (Ary Barroso) 
2. Eu Tenho Medo De Mim... (Samuel De Mayo / Marcelo Tupinambá)
JUN/1934 - 78 RPM (Victor)
1. Dança Negra (Hekel Tavares / Sodré Viana) - com Irmãos Tapajós
2. Humaitá (Hekel Tavares / J. D'Altavilla)
    Biá Tá Tá (Hekel Tavares / J. D'Altavilla) - com Irmãos Tapajós
AGO/1934 - 78 RPM (Odeon)
1. Canção Da Felicidade (Ary Barroso / Oduvaldo Viana Filho)
2. Caco Velho (Ary Barroso)