ABIGAIL MAIA
16/9/1887  Rio de Janeiro, RJ - 20/12/1981  Rio de Janeiro, RJ
FOTOS
 

    A atriz e cantora Abigail Maia era filha de dois famosos atores de teatro de revista. Seu pai, o português Joaquim da Costa Maia transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde pretendia dedicar-se ao comércio, mas seguiu carreira no teatro, no qual estreou em 1866. Trabalhava no Teatro Recreio, quando conheceu a atriz Balbina, na época viúva e mãe de dois filhos. Casaram-se por volta de 1874 e tiveram dois filhos: Magnus e Abigail. Aos cinco anos de idade, Abigail já cantava acompanhada por seu pai à guitarra portuguesa ou por seu irmão ao violão. Os pais não queriam que seguisse a carreira artística, mas em 1897, seu pai faleceu e Abigail teve que passar a viajar com a mãe, que era atriz contratada da Companhia Dias Braga. Em 1898, seu irmão morreu com 23 anos de idade. Estreou nos palcos em Porto Alegre, aos 15 anos de idade, substituindo uma jovem atriz no "vaudeville" "Maridos na corda bamba", espetáculo para o qual sua mãe era contratada como primeira atriz. Não pretendia retornar ao palco, mas em 1903, foi convidada para fazer o papel de uma menina-moça, a princesa Açucena na peça "A fada de coral", na Companhia Silva Pinto, em que a mãe trabalhava. Mesmo a contragosto, aceitou. Nesse ano conheceu Joaquim da Silva Braga, com quem se casou aos 17 anos incompletos. Em 1905, nasceu sua filha mais velha. Neste mesmo ano, perdeu seu marido, vitimado pela tuberculose. Com o falecimento de seu marido e em meio a dificuldades financeiras, aderiu definitivamente ao teatro. Ingressou na Companhia Luso-Brasileira, do empresário Lago, no Teatro São Pedro, e durante um ano e meio atuou em revistas. Estreou na revista "Flor de junho", do paulista José Pisa, com a qual excursionou por vários estados. Em 1909, representou no Teatro Recreio a peça "A gata borralheira". Nesse mesmo ano casou-se com o maestro e compositor Luís Moreira. Pouco tempo depois, foi contratada pelo empresário Alfredo Miranda e viajou em 1910 para Portugal onde atuou no Teatro Sá Bandeira na cidade do Porto, tendo interpretado todo o repertório de operetas vienenses, segundo o crítico Brício de Abreu. Em Portugal, nasceu seu segundo filho, que recebeu o nome de seu irmão: Magnus. No mesmo ano, ingressou na companhia de José Ricardo. No ano seguinte, com o falecimento da mãe retornou ao Brasil. Pouco depois entrou para a companhia de José Loureiro, da qual seu marido era maestro. Em 1914, na cidade de Santos, conheceu com o marido o humorista João Foca, com quem resolveram formar um trio: ela cantava, Luís Moreira tocava piano e João Foca fazia conferências divertidas. Correram São Paulo e depois todo o interior do estado. Nesta época, a imprensa paulista passou a cognominá-la a Rainha da Canção Brasileira. De volta ao Rio de Janeiro em 1915, apresentaram-se durante um mês no Cinema Pathé, na Avenida Rio Branco. O trio se desfaz no mesmo ano com a morte de João Foca. Ingressou então na Companhia de Cristiano de Souza, no Trianon, onde permaneceu por um ano. Ainda por volta de 1915, gravou na Odeon as canções "Súplica" e "Faceira" e, acompanhada de coro, o coco baiano "O cambuco e o balaio" e o batuque paulista "Chico, Mané, Nicoláu", todas de autores desconhecidos. Em 1916, foi para o Teatro Recreio, onde fez "Bocaccio" e outras operetas. Por volta de 1918, gravou com Olímpio Duarte o desafio "Rolinha" e, sozinha, o tango "Mulata pernóstica", ambas de autores desconhecidos e com arranjos do marido e maestro Luiz Moreira. Em 1920, foi contratada por Pascoal Segreto para ser a estrela de sua companhia que atuava no Teatro São Pedro. Tornou-se a estrela de "Juriti", de Viriato Corrêa, atuando ao lado de Vicente Celestino, com música de Chiquinha Gonzaga. Atuou ainda em "Flor da noite", Clube dos Pierrôs" e "Amor de bandido", com a qual Vicente Celestino teve grande destaque, todas de Oduvaldo Viana, com quem se casou. No mesmo ano, trabalhou no Teatro Fênix com Leopoldo Fróes, em "A sociedade onde a gente se aborrece". Em maio desse ano ficou novamente viúva, com o falecimento de Luís Moreira. Em 1921, casou-se com Oduvaldo Viana, com quem teve duas filhas. Nesse ano retornou ao Trianon, como primeira figura de uma companhia organizada por Oduvaldo Viana. Em 1923, excursionou por Buenos Aires e Montevidéu com boa acolhida do público. Em 1924, retornou ao Teatro Trianon e estreou a peça "Em família", de Florêncio Sanchez. Em 1929, gravou para a Odeon a toada "Sarará", de Eduardo Souto e a canção "Meu príncipe encantado", de Armando Ângelo e Guilherme de Almeida. Em 1931, gravou na Victor as canções "Sorriso de mulher", de Marcelo Tupinambá e Oduvaldo Viana e "Flor de maracujá", de Marcelo Tupinambá e Amadeu Amaral. Prosseguiu como atriz durante toda a década de 30 e em 1940, ingressou no radioteatro da Rádio Nacional, onde destacou-se como radioatriz, principalmente com seu desempenho no papel de "Conceição", na novela "O direito de nascer". Aposentou-se em 1967, quando completou 80 anos de idade. Abigail Maia foi também casada por certo período com o ator e cantor Raul Roulien.

DISCOGRAFIA

1913 - Gaúcho 1.224 (78 RPM)
1. Rolinha (Adpt. Luis Moreira) - com Olimpio Duarte
1913 -  Gaúcho 1.233 (78 RPM)
1. Mulata pernóstica (Adpt. Luis Moreira)
1913 - Phoenix 160 (78 RPM)
1. Rolinha (Adpt. Luis Moreira) - com Olimpio Duarte 
2. Mulata pernóstica (Adpt. Luis Moreira)
1916 - Odeon 121.170 (78 RPM) 
1. Súplica
1916 - Odeon 121.171 (78 RPM)
1. Faceira
1916 - Odeon 121.172 (78 RPM)
1. O cambuco e o balaio
1916 - Odeon 121.173 (78 RPM)
1. Chico, Mané, Nicolau
DEZ/1929 - Odeon 10.510 (78 RPM)
1. Sarará (Eduardo Souto) 
2. Meu príncipe encantado (Armando Ângelo / Guilherme de Almeida)
FEV/1931 - Victor 33.425 (78 RPM) 
1. Sorriso de Mulher (Marcelo Tupinambá / Oduvaldo Viana Filho) 
2. Flor De Maracujá (Amadeu Amaral / Marcelo Tupinambá)